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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

poeta castrado naoooooo....


Poeta castrado não!

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição teorema
corolário poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.

Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu

em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;

e também uma alegria
uma coragem seren
a em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa
- mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal
- mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:

Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.

Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Ary dos Santos

goste-se ou nao ,indiferentes nunca..............

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